Soja e milho recuam em Chicago enquanto mercado físico mantém diferenças entre as regiões

Clima mais favorável nos EUA e dólar em queda pressionam os grãos. Confira os preços no Oeste do Paraná, Guarapuava, Rondonópolis e Paranaguá.

Soja e milho recuam em Chicago enquanto mercado físico mantém diferenças entre as regiões
Panorama CostaWeber do mercado de soja e milho em 10 de julho de 2026.

Os mercados de soja e milho encerraram a quinta-feira em queda na Bolsa de Chicago, pressionados pela melhora das condições climáticas nos Estados Unidos e pelo reposicionamento dos investidores antes da divulgação do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA.

No Brasil, o recuo do dólar reduziu parte da sustentação proporcionada pelo câmbio, mas o mercado físico não acompanhou Chicago de forma uniforme. As diferenças entre as praças continuam expressivas, refletindo frete, destino da mercadoria, demanda regional, prazo de entrega e modalidade de negociação.

Soja recua em Chicago, mas demanda norte-americana segue presente

O contrato novembro da soja encerrou cotado a US$ 11,81 por bushel, com queda de 0,90%. O movimento foi atribuído à realização de lucros após as altas recentes, ao clima mais favorável nas regiões produtoras norte-americanas e à redução do prêmio de risco climático.

Apesar da correção, a demanda externa permaneceu ativa. Exportadores dos Estados Unidos reportaram vendas de 136 mil toneladas de soja para a China e outras 120 mil toneladas para destinos ainda não identificados, ambas referentes à safra 2026/2027.

As vendas semanais norte-americanas totalizaram 462,6 mil toneladas, crescimento de 30% em relação à semana anterior, segundo o informativo da Gamma Corretora.

O mercado permaneceu cauteloso antes do relatório mensal do USDA. A edição de julho do WASDE estava programada para esta sexta-feira, 10 de julho, e poderia alterar as projeções de produção, produtividade, exportações e estoques dos Estados Unidos.

Mercado brasileiro apresenta baixa liquidez e indicações mais firmes

No mercado interno, as negociações continuaram pontuais. Em Rondonópolis, no Mato Grosso, tradings indicaram aproximadamente R$ 132 por saca FOB, frente a R$ 126 observados na semana anterior.

Em Guarapuava, no Paraná, compradores ligados à exportação indicaram R$ 140 por saca CIF Paranaguá para julho e até R$ 143 para agosto. Vendedores, por sua vez, buscavam valores superiores a R$ 135 por saca FOB.

O Indicador da Soja Cepea/Esalq para o Paraná encerrou o dia 9 de julho em R$ 132,69 por saca, enquanto a referência de Paranaguá ficou em R$ 140,25 por saca.

Oeste do Paraná apresenta referências diferentes dentro da própria região

Em Marechal Cândido Rondon, a referência divulgada pela Copagril no encerramento de 9 de julho foi de R$ 116 por saca de soja. No início da semana, o preço havia oscilado entre R$ 115 e R$ 117 por saca.

Já a referência média para o conjunto do Oeste do Paraná, levantada pela AgRural e divulgada pela Scot Consultoria, ficou em aproximadamente R$ 128 por saca para entrega imediata, sem frete. Em Paranaguá, a mesma pesquisa indicava R$ 142 por saca.

A diferença entre R$ 116 em Marechal Cândido Rondon e R$ 128 na referência mais ampla do Oeste não deve ser interpretada como inconsistência. São levantamentos com compradores, condições e pontos de entrega diferentes.

Uma cotação de balcão de determinada cooperativa não possui necessariamente a mesma estrutura de uma referência regional para entrega imediata. Prazo de pagamento, volume, qualidade, fidelização, armazenagem, frete e destino final interferem diretamente no valor líquido recebido pelo produtor.

Milho acompanha Chicago e sente pressão da oferta

O contrato dezembro do milho encerrou a sessão a US$ 4,52 por bushel, com recuo de 0,93%.

A queda foi provocada pelas vendas externas abaixo das expectativas e pela previsão de temperaturas menos intensas e maior possibilidade de chuvas nas regiões produtoras dos Estados Unidos. O mercado climático continua relevante, mas a melhora das previsões retirou parte da sustentação das cotações.

No Brasil, a entrada da segunda safra amplia a disponibilidade de milho e limita movimentos mais fortes de alta. Em contrapartida, a demanda de fábricas de ração, cooperativas, avicultura, suinocultura e produção de proteína animal oferece sustentação em regiões consumidoras.

Em Guarapuava, as fábricas indicaram entre R$ 60 e R$ 61 por saca CIF, enquanto os vendedores buscavam aproximadamente R$ 62.

Em Rondonópolis, as indicações ficaram em R$ 46 por saca FOB para julho e R$ 47 para agosto.

Consumo regional sustenta milho no Paraná

Em Marechal Cândido Rondon, a referência da Copagril ficou em R$ 52 por saca de milho no encerramento de 9 de julho. O preço iniciou o mês em R$ 50 e avançou para R$ 52 ao longo da primeira semana.

Nas demais praças paranaenses, o levantamento da AgRural apontou aproximadamente:

  • Cascavel: R$ 58 por saca;

  • Campo Mourão: R$ 56 por saca;

  • Guarapuava: R$ 62 por saca;

  • Ponta Grossa: R$ 62 por saca;

  • Paranaguá: R$ 64 por saca.

O milho apresenta diferenças regionais determinadas principalmente pela proximidade das unidades consumidoras e pela pressão de oferta da colheita.

No Oeste do Paraná, a presença de cooperativas, fábricas de ração e cadeias de aves, suínos e leite cria uma demanda estrutural que pode reduzir parte da pressão observada em regiões mais dependentes do escoamento para outros mercados.

Queda do dólar limita a formação dos preços

O dólar à vista encerrou cotado a R$ 5,1227, com queda de 0,50%. O vencimento de agosto terminou em R$ 5,1425, recuo de 0,74%.

A desvalorização da moeda norte-americana diminui a conversão das cotações internacionais para reais e reduz parte da paridade de exportação da soja e do milho.

Por outro lado, o dólar menor pode aliviar custos de produtos importados, incluindo fertilizantes, defensivos, componentes e equipamentos. Esse efeito, entretanto, depende do momento da compra, dos estoques dos distribuidores e das condições de frete.

Fertilizantes continuam pressionando o planejamento da próxima safra

A redução pontual do dólar não elimina a preocupação com os fertilizantes. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil aponta que os preços permanecem elevados e que a relação de troca se deteriorou para a safra 2026/2027, exigindo mais sacas de soja ou milho para comprar a mesma quantidade de insumos. A entidade também destaca que 93% dos fertilizantes utilizados pelo Brasil em 2025 tiveram origem importada.

Como referência internacional, a ureia foi negociada em aproximadamente US$ 416,50 por tonelada em 9 de julho. Esse número representa um indicador financeiro internacional e não o preço final entregue ao produtor no Paraná.

Convertida pelo dólar de R$ 5,1227, essa referência equivale a aproximadamente R$ 2.134 por tonelada, antes de frete, impostos, margem comercial e custos de distribuição.

Considerando somente essa conversão:

  • ao preço de R$ 52 por saca em Marechal Cândido Rondon, seriam necessárias aproximadamente 41 sacas de milho para adquirir uma tonelada;

  • ao preço de R$ 58 observado em Cascavel, seriam necessárias aproximadamente 36,8 sacas.

A relação é apenas indicativa. A decisão deve utilizar a cotação efetiva do fertilizante entregue na propriedade e o preço líquido disponível para o milho ou a soja na mesma data.

Mercado aguarda novos números de oferta e demanda

O cenário de curto prazo permanece condicionado ao relatório do USDA e à evolução climática nas lavouras norte-americanas.

Para a soja, a continuidade das compras chinesas pode oferecer sustentação, mas o mercado dependerá da confirmação de novos volumes e da regularidade da demanda.

Para o milho, o avanço da segunda safra brasileira e o clima nos Estados Unidos continuarão determinando a direção das cotações. No Paraná, o consumo regional pode limitar quedas, mas não elimina os efeitos de uma oferta mais elevada.

Alerta CostaWeber

Cotações FOB, CIF, balcão, porto e indicadores médios possuem estruturas diferentes e não devem ser comparadas diretamente.

Antes de fechar uma operação, o produtor deve avaliar o preço líquido após frete, prazo de pagamento, descontos de qualidade, armazenagem, impostos, taxas e destino da mercadoria.

Em períodos de maior volatilidade, a referência nominal é apenas o início da análise. A decisão comercial deve considerar o impacto efetivo da operação sobre o fluxo de caixa, os custos e a margem da atividade.

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