Simepar classifica como F2 o tornado que devastou Reserva e ventos atingiram quase 200 km/h
Fenômeno ocorrido no último domingo arrancou árvores centenárias e arremessou destroços por mais de 150 metros; novas frentes frias se aproximam do Paraná
A passagem de um tornado pelo município de Reserva, localizado na região dos Campos Gerais, no último domingo, dia 28 de junho, ganhou uma classificação oficial preocupante. O Simepar, órgão responsável pelo monitoramento climático no estado, confirmou que o fenômeno atingiu a categoria F2 na Escala Fujita, medição internacional que avalia a potência desses eventos atmosféricos. Os ventos durante o episódio chegaram a algo em torno de 200 quilômetros por hora.
A classificação foi estabelecida após as primeiras inspeções presenciais realizadas pelos técnicos do Simepar, que começaram a percorrer a região já na segunda-feira, dia 29.
A Escala Fujita, que serve de parâmetro mundial, vai do nível F0 ao F5. Quando o tornado atinge a marca F2, os ventos se situam entre 180 e 253 quilômetros por hora e têm força suficiente para provocar estragos severos na paisagem e nas construções.
O fenômeno que assolou Reserva se equiparou ao tornado que varreu São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, em janeiro deste ano, também classificado como F2.
Em contrapartida, ficou abaixo do episódio registrado em Rio Bonito do Iguaçu, no Sudoeste paranaense, em novembro de 2025, que recebeu a classificação F4 e envolveu ventos ainda mais destrutivos.
As equipes do Simepar continuam em campo para concluir a delimitação exata do caminho percorrido pelo tornado. Para isso, estão utilizando drones que permitem mapear com riqueza de detalhes toda a extensão do trajeto.
A previsão é de que, assim que os trabalhos em Reserva forem finalizados, os especialistas sigam para outros municípios onde há indícios de que tornados ligados ao mesmo sistema meteorológico possam ter tocado o solo.
Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar, descreveu o cenário encontrado durante as vistorias. De acordo com o especialista, as marcas deixadas pelo tornado são inconfundíveis.
Árvores de grande porte foram extraídas do solo com raiz e tudo. Araucárias tiveram suas copas completamente dilaceradas.
Os destroços não seguiram uma única direção, mas se espalharam de forma multidirecional, o que comprova o giro característico dos ventos de um tornado.
Pedaços de galhos foram lançados a dezenas de metros do ponto de origem e uma placa de trânsito foi encontrada a mais de 150 metros de distância de onde estava fixada.
Kneib ressaltou que o padrão de devastação observado em Reserva deixa clara a diferença entre um tornado e outros tipos de ocorrências atmosféricas. Nas chamadas microexplosões ou em rajadas de vento muito fortes, os escombros tendem a se acumular todos na mesma direção.
Já nos tornados, o movimento rotativo imprime um rastro caótico, com objetos arremessados para todos os lados, algo que ficou evidente durante as análises de campo.
O Simepar mantém vigilância permanente sobre as condições do tempo em todo o Paraná e emite comunicados sempre que há previsão de fenômenos severos.
A orientação oficial é que a população acompanhe os informes do Simepar e da Defesa Civil estadual e obedeça às recomendações dos órgãos sempre que houver situação de perigo.
Outra ferramenta disponível é o serviço gratuito de alertas da Defesa Civil via mensagem de celular.
Qualquer pessoa pode se cadastrar enviando um SMS com o CEP de sua residência para o número 40199. Feito isso, o cidadão passa a receber notificações sempre que surgir risco de eventos meteorológicos na sua região.
Apesar de uma leve melhora nas condições do tempo ao longo desta quarta-feira, dia 1º de julho, ainda há chance de pancadas de chuva entre as regiões Oeste e Sudoeste do estado.
Para quinta-feira, dia 2, o Simepar já acompanha o deslocamento de uma nova frente fria, que deve espalhar novamente a chuva por todo o território paranaense.
Rudi Walker
Fonte: Simepar - Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná





















