Presidente da Câmara De Nova Santa Rosa Cita Morador Em Discurso E Reacende Debate Sobre Capacitismo

Em fala na 25ª Sessão Ordinária, Amauri Ladwig criticou a gestão municipal e fez referência a um munícipe conhecido como Vade; episódio recoloca em pauta respeito à dignidade, inclusão e limites da liberdade de expressão

Durante a 25ª Sessão Ordinária da Câmara de Vereadores de Nova Santa Rosa, realizada na segunda-feira (17 de agosto de 2026), o presidente do Legislativo, vereador Amauri Ladwig, utilizou a tribuna do Grande Expediente para criticar a gestão municipal, com ênfase na área da Saúde.

Em sua fala, registrada em sessão, o parlamentar afirmou que “gestor não é para todo mundo” e, ao cobrar providências do prefeito e do vice, fez referência a um morador da cidade conhecido como Vade.

No trecho mais sensível do pronunciamento, o vereador declarou: “Gestor não é para todo mundo. É só descer do salto, mostrar humildade e capacidade (...). Eu espero que o prefeito e o vice-prefeito tomem a providência, porque senão eu falei o que vai acontecer. Infelizmente o Vade vai ser vice-prefeito da cidade (...)”.

Vade é reconhecido pela comunidade como um morador que conta com apoio da família, é respeitoso no convívio e complementa a renda com serviços de limpeza de quintais.

A menção ao seu nome, no contexto de uma comparação para criticar a condução da gestão, foi recebida por parte de observadores como exemplo de linguagem que pode reforçar estigmas contra pessoas com deficiência.

O debate remete ao conceito de capacitismo — discriminação e preconceito que reduzem a pessoa com deficiência à sua condição e a tratam como menos capaz.

Expressões desse tipo tendem a criar barreiras simbólicas e práticas à participação social. No Brasil, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) estabelece que ninguém pode ser discriminado por motivo de deficiência em qualquer esfera da vida.

Condutas que inferiorizam, excluem ou dificultam o exercício de direitos podem caracterizar discriminação e ensejar responsabilização, conforme os parâmetros da legislação. A avaliação de cada caso, porém, depende de análise jurídica específica do contexto e do teor das manifestações.

A fala do presidente da Câmara, ao ocorrer em sessão oficial e constar de registro audiovisual, recoloca em pauta os limites da liberdade de expressão no exercício do mandato parlamentar e a necessidade de observância da dignidade das pessoas com deficiência na vida pública.

Até a última atualização desta reportagem, não havia manifestação oficial do prefeito, do vice-prefeito ou comunicação da Câmara Municipal sobre eventuais providências internas relacionadas ao episódio.

Redação: Rudi Walker

Fonte:https://retinabrasil.org.br/dia-a-dia-com-a-doenca/capacistismo/ https://www.iar.unicamp.br/publionline/simpac/www.publionline.iar.unicamp.br/index.php/simpac/article/download/4389/4389-Texto%20do%20artigo-12010-1-10-20191214.pdf https://www.youtube.com/watch?v=ZqJtJ-beamI

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